terça-feira, 30 de novembro de 2010

Gelo

(imagem retirada da internet; autor desc.)


Gelo

         É amargo. É amargo o sabor dos actos alheios perante as nossas dificuldades, alheios ao sangue que corre nas veias. É amargo o sabor de se saber que estará presente perante a grande adversidade, quando na pequena não se quer saber. É amargo o distanciamento, a parede de gelo que não derrete, apesar das palavras quentes ouvidas quando algo se queda no altar, quedando-se apenas na imaginação, pois que elas saem como pedra a saltar por cima da água, batendo até chegar a uma nova terra, ainda mais longínqua. Tenho frio, tenho frio pela temperatura que faz lá fora, e pela temperatura que se apega junto desta parede de gelo.


Clarisse Silva
© Direitos de autor reservados.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dobram os sinos...

(foto: retirada da net; autor desc.)


À minha querida avó Emília


Dobram os sinos


Dobram os sinos ao som da dor
Da dor de te ver partir
Permanece o eterno amor
Depois do destino se cumprir


Dobram os sinos
Tocam a alma
Dos hinos que se pronunciam
Na tua chegada aos céus.


Dobram os sinos que anunciam
A tua partida
É apenas um até logo
Pois
Muda a morada, continua a vida.


Até sempre avó…!


10 de Novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Certezas...


(imagem: retirada da internet; autor desc.)


Sinto os olhos fumegantes, ardentes. Abro-os no intuito de ver mais além, para além do que eles conseguem. Eles observam a sua própria limitação, o ponto de saturação do que não compreendem. Não adianta fazer o esforço… Será que só a energia que nos anima intrinsecamente, nos movimenta o corpo, consegue ver mais além, para lá de todos os dogmas que nos introduziram, alimentando egos seculares e deixando a verdade de cada um virar cada vez mais uma mentira?! E o cérebro? Qual o papel do cérebro? Mero veículo físico ao serviço da matéria, ou por outra, meio de nos transportar a novas dimensões? Talvez seja o que nós quisermos, mediante a alma que colocamos na nossa vida em cada atitude.

Pairam outras dimensões pela minha cabeça, interrogações, divagações, visões de outros mundos, onde quem nos deixa regressa, deixando-me cada vez mais certezas.



Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=160082
Clarisse Silva

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Conta-me sobre esse amor…


Conta-me sobre esse amor…


Conto-te
Sobre o sentimento ardente
A fluir no peito…
Conto-te
Sobre as minhas asas ocultas
Que me permitem vislumbrar
Realidades esquecidas
Outras desconhecidas…


Conto-te
Sobre o aconchego interior
Depois do pleno da paixão
Reflectido na lágrima
Que escorre pela face
Deixando-me ainda mais
Irradiante…


Conto-te
Sobre o preenchimento
Que me invade…
Sobre a solidão que partiu
E a chegada d’ alegria
A luz em cada dia…


Conto-te
Sobre a relatividade
De todas as coisas
Perante a companhia…
O olhar em sintonia
E o sorriso subtil
Que dele resulta…


Conto-te…
Conto-te…
Mas sinto muito mais.


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