terça-feira, 29 de março de 2011

Poema da Semana: "Dispo o fogo escondido"


Foto: retirada da internet - autor desc.


Dispo o fogo escondido


Nas pálpebras dos teus olhos
dispo o fogo escondido
nas vestes
do meu trémulo sorriso
e alumio o teu olhar... pavio
com as fagulhas rubras
do meu corpo ébrio

em combustões lentas
incendeio-me nos teus braços
esquecida de mim


Autora: Liliana Jardim
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segunda-feira, 28 de março de 2011

Pensamento da Semana

Fernando Pessoa


"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é o desumano, porque o humano é imperfeito."


quinta-feira, 24 de março de 2011

PAC, PEC, PIC, POC… PUM!

Imagem: henricartoon "o rasto de Sócrates"


PAC, PEC, PIC, POC… PUM!



Jazem os valores vociferados pela epiderme irrepreensível, como bombas aos ouvidos incautos. Águas que escorrem dos capotes, ainda antes de serem sacudidas de tão habituadas a tal. Lutas desmesuradas por palanques que os tornam para sempre em protegidos pelas leis criadas à medida. Jogos, interesses, acusações, quezílias partidárias em nome de um qualquer interesse nacional, fundamentado pela continuação da exploração dos que passam necessidade, pois há que apoiar o suposto motor de uma sociedade, cada vez mais esgotada! Modelos económicos saturados por especulações, onde reinam o poder do capital, inventado pelo homem, esquecendo-se da real natureza do ser humano.

Diz que estão todos assim… Que anda tudo num frenesim à procura da cura para a economia, ou do equilíbrio das contas. Estamos em pausa… carrega nela e descarrega sobre a humanidade os despojos da inutilidade, reina a sociedade numa selva sem piedade onde os números se sobrepõem à fome que consome o desnorte do ego cada vez mais faminto.

Imperam assim, os desvalores quando o ser humano se deixou levar pelo seu lado mais negro, fazendo acreditar-se que uma qualquer felicidade eterna estaria ao alcance de uma carteira recheada, bastando para isso, fazer o que fosse preciso. Vive-se em clausura por altos organismos criados pelo homem - com bandeira azul salpicada de amarelo - supostamente para nos proteger, mas que ditam as leis baseadas em números, sem apelo nem agravo, sem resquícios de um qualquer pingo de humanidade que um dia sonhou passar por ali. Vive-se enfim, num sufoco que é única e exclusiva responsabilidade de todos nós. Todos somos, mais ou menos responsáveis, pois vivemos em democracia e usamos do voto livre para eleger quem nos governa. Não pensemos, nós povo, que a responsabilidade também não é nossa e não sacudamos igualmente a água do capote, levando-a para os governantes, pois ela carregará sobre nós inevitavelmente. Pensemos. Está nas nossas mãos mudar o que temos de mudar - “vamos fazer o que ainda não foi feito”…!



Clarisse Silva


segunda-feira, 21 de março de 2011

Pensamento da Semana

"Se você tem uma laranja e troca com outra pessoa que também tem uma laranja, cada um fica com uma laranja. Mas se você tem uma idéia e troca com outra pessoa que também tem uma idéia, cada um fica com duas."

quarta-feira, 16 de março de 2011

In-Tolerância

Foto: Clarisse Silva


In-Tolerância


Peço perdão… peço perdão pela minha frustração perante a intolerância alheia, caminhando para a indignação. Algo de negro se espalha, quando se assiste em directo a imperfeições colocadas no alto, debaixo de um véu de magistralidade? Ou serão os pequenos ciscos de luz no interior da minha pequenez a chocarem com a realidade? Peço perdão por pedir perdão, perante a lágrima que espreita à janela, que escorre por ela, e pisa este chão…

Clarisse Silva

terça-feira, 15 de março de 2011

Poema da Semana: "Ilusão de óptica"

Tela de Paula Rego

Ilusão de óptica

Há planícies inteiras a desbravar novos montes de terra.

Deviam espreitar para dentro delas mesmas e redescobrir novas sementes para poderem germinar novos temas.

Há tantas e novas sementes à espera de serem semeadas.

Assim se apalpam as palavras para que os temas surjam em jeito de tinta fresca a pintar os painéis do futuro. Não se podem abafar as sementes, pois elas germinam em cada polegar, tal como estes meus molestando as teclas de um teclado inactivo.

(Ilusão de óptica, será esta a minha fachada, onde me visto por dentro e me dispo por fora?)

Prontifico-me para lhes semear no ventre todas as novas sementes que caíram enquanto dormia sobre a erva molhada. Sempre que abria os olhos, era um céu virgem que me encantava, e a terra, essa esperava as sementes caídas dos meus olhos. Ilusões que se perdem nos cantos esverdeados que pinto nas paredes do meu quarto, enquanto não durmo.

Esta insónia que não me larga, este canteiro de ervas secas a picar-me a pele. Zangão, digo eu, nesta ilusão de óptica, pronta a furar-me os olhos.


Autora: Dakini
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