segunda-feira, 25 de junho de 2012

Eterno Agora

Foto: CS

Mais do que qualquer outra coisa, penso em tudo e nada ao mesmo tempo. Quero o agora, quero o para sempre. Quero o eterno transformado no fugaz, rapidamente o fugaz se torne eterno, para que o meu sentir o seja eternamente fugaz. Quero bombas a explodirem no meu peito transformando-se na correnteza que me leva e me faz boiar até à foz, como fonte e destino se misturam na realidade, fazendo-nos descobrir que afinal se trata da mesma coisa. Quero o olhar voltado constantemente para o azul de cima, enquanto me delicio, deitada, madrugada a madrugada, a sentir as ondulações das marés que me fazem viajar, que tanto quero sonhar, e conseguir lá chegar, enquanto a minha pequenez me assombra e me impede de lá voltar.

Clarisse Silva
17 de Janeiro de 2012 © Direitos de autor reservados.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tanta pompa, tão pouca circunstância

Foto: CS

Dá que rir. Rir para não chorar, ao assistir a palavras grandiosas ao serviço do vazio. São escritas, são faladas, tão badaladas na banalidade de vidas caídas no abismo há muito tempo. Vivem no precipício do despenhadeiro adornando suas casas, não se dando conta do ridículo da situação. Os que em volta não olham, nem percebem as grandes rochas que rodeiam esta edificação - fixando o olhar para as luzes a piscar, tal como crianças a olharem para a árvore de Natal -, prontas a tombarem a qualquer momento. Não ousam pensar em sair dali, tão acomodados àquela posição confortável, ganhando no vazio.

Clarisse Silva
17Jan12 © Direitos de autor reservados.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Perguntas Retóricas

Foto: CS

Porque, sempre que penso em ti, elevo o olhar e vasculho nas nuvens do céu?! Porque me fico a observar o azul que permanece sempre por detrás delas? Porque se eleva o meu pensamento, e os problemas se tornam todos muito mais pequenos?

Clarisse Silva
Dez11 © Direitos de autor reservados.

terça-feira, 20 de março de 2012

Introspecção

Imagem: Mandala do Mar - Tayane Sites
 
Introspecção

Sou a força do Ser
A réstia de mim,
Força a renascer
Nos escombros do fim.

Sou livro aberto em aberto
Página branca em verso…
Calhamaço por escrever,
Estrutura por satisfazer!
 
  Caminho por trilhar
No trilho por inventar
Desprezo o conhecido
Defino o indefinido.

Força oculta a brotar
Na ocultação da vida
Por descobrir

Ponto de partida (s)em centro
Na energia a conquistar.

Sou uma música por terminar
Sou peça perdida
Encontro com a saída.
   
Sou a força do Ser
Na réstia de mim…
Alma no poder
Sensibilidade em frenesim.
 
 
18102010

terça-feira, 6 de março de 2012

(Im)paciência


Tela de Paula Rego

Detesto a liberdade que a impaciência tem em mim.
Detesto a baixeza de detestar com a impaciência a germinar das profundezas.
Tipo de vida qualquer que me faz encolher à medida que cresce.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mirrada

Foto: Clarisse Silva


Dependurei-me na árvore a descansar depois de a escalar. Tarefa difícil foi esta. Os ramos estavam despidos e secos, a uma altura acima do alcance dos meus braços. Com manobras, umas mais, outras menos decididas lá me espetei nela, como se fosse mais um ramo mirrado à espera que chegasse a primavera. Esta tardava a chegar. Os dias eram pequenos e as noites longas demais.

Clarisse Silva