segunda-feira, 2 de julho de 2012

Casulos e paredes de gelo


Imagem retirada da internet
De casulos a paredes de gelo, tudo vai dar no mesmo. Preciso de reanimação! Sobrevivi a ventos ciclónicos, a chuva torrencial, a rios que galgaram as margens e transformaram estradas em leitos e refugiei-me num cubículo no topo de uma montanha. Quando tentava relaxar, a terra desaparecem-me dos pés e vi-me acompanhando uma avalanche por ali abaixo, como quem desliza num mergulho no mar. Por instantes, vi as preocupações fúteis dos humanos se amontoando naqueles escombros, as misérias humanas se afundando, ao mesmo tempo que outros assistiam ao mesmo que eu. Por instantes foi notório, vários olhares se cruzarem em pensamentos comuns. Ninguém parecia dar importância ao facto dos seus próprios corpos estarem prestes a desaparecer… Os erros do passado de forma individual e a sua repercussão na colectividade, assombravam ainda mais que o próprio cenário de destruição. Todos pareciam se resignar perante tal situação, como compreendendo que só estaríamos a colher todo o desrespeito que (durante séculos), infligimos ao mundo que nos foi dado para viver.

Clarisse Silva
30 Mai 12 © Direitos de autor reservados.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Eterno Agora

Foto: CS

Mais do que qualquer outra coisa, penso em tudo e nada ao mesmo tempo. Quero o agora, quero o para sempre. Quero o eterno transformado no fugaz, rapidamente o fugaz se torne eterno, para que o meu sentir o seja eternamente fugaz. Quero bombas a explodirem no meu peito transformando-se na correnteza que me leva e me faz boiar até à foz, como fonte e destino se misturam na realidade, fazendo-nos descobrir que afinal se trata da mesma coisa. Quero o olhar voltado constantemente para o azul de cima, enquanto me delicio, deitada, madrugada a madrugada, a sentir as ondulações das marés que me fazem viajar, que tanto quero sonhar, e conseguir lá chegar, enquanto a minha pequenez me assombra e me impede de lá voltar.

Clarisse Silva
17 de Janeiro de 2012 © Direitos de autor reservados.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tanta pompa, tão pouca circunstância

Foto: CS

Dá que rir. Rir para não chorar, ao assistir a palavras grandiosas ao serviço do vazio. São escritas, são faladas, tão badaladas na banalidade de vidas caídas no abismo há muito tempo. Vivem no precipício do despenhadeiro adornando suas casas, não se dando conta do ridículo da situação. Os que em volta não olham, nem percebem as grandes rochas que rodeiam esta edificação - fixando o olhar para as luzes a piscar, tal como crianças a olharem para a árvore de Natal -, prontas a tombarem a qualquer momento. Não ousam pensar em sair dali, tão acomodados àquela posição confortável, ganhando no vazio.

Clarisse Silva
17Jan12 © Direitos de autor reservados.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Perguntas Retóricas

Foto: CS

Porque, sempre que penso em ti, elevo o olhar e vasculho nas nuvens do céu?! Porque me fico a observar o azul que permanece sempre por detrás delas? Porque se eleva o meu pensamento, e os problemas se tornam todos muito mais pequenos?

Clarisse Silva
Dez11 © Direitos de autor reservados.

terça-feira, 20 de março de 2012

Introspecção

Imagem: Mandala do Mar - Tayane Sites
 
Introspecção

Sou a força do Ser
A réstia de mim,
Força a renascer
Nos escombros do fim.

Sou livro aberto em aberto
Página branca em verso…
Calhamaço por escrever,
Estrutura por satisfazer!
 
  Caminho por trilhar
No trilho por inventar
Desprezo o conhecido
Defino o indefinido.

Força oculta a brotar
Na ocultação da vida
Por descobrir

Ponto de partida (s)em centro
Na energia a conquistar.

Sou uma música por terminar
Sou peça perdida
Encontro com a saída.
   
Sou a força do Ser
Na réstia de mim…
Alma no poder
Sensibilidade em frenesim.
 
 
18102010

terça-feira, 6 de março de 2012

(Im)paciência


Tela de Paula Rego

Detesto a liberdade que a impaciência tem em mim.
Detesto a baixeza de detestar com a impaciência a germinar das profundezas.
Tipo de vida qualquer que me faz encolher à medida que cresce.