terça-feira, 21 de maio de 2013

Alheamentos




Vejo, com tristeza, seres humanos alheios aos acontecimentos dos que os rodeiam, colocando o seu individualismo em primeiro, avessos a qualquer atitude, assistindo de camarote à desgraça acontecer. Vejo, seres humanos entrando nas catedrais todas as semanas, doando com aparente fé no cesto de sempre; regressando de tomar o senhor com as mãozinhas em acto de oração e a cabeça inclinada para a audiência, mas que durante os restantes dias semanais agem como animais, totalmente desfasados da realidade da maioria humana, tão embutidos no seu mundo egoísta, onde a fartura nunca se farta, mas que não chega (nas suas cabeças – as mesmas da inclinação) para amenizar com uma migalha - depois do infortúnio ocorrer - aqueles que contam os trocos até receber! E assim vai o mundo: cada um por si e todos a assobiar para o lado!

Assim é; Assim não tinha que ser, ou tinha?!


p.s. desculpem, tive que fazer algumas alterações no texto.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Escrita



Escrever é mágico, e cada vez mais a magia irradia, tornando a matéria grosseira na maneira etérea de se Ser, elevando todos os poros da pele, todos os fios de cabelo, ainda que estejamos supostamente alienados numa cadeira qualquer, olhando um vácuo grotesco à nossa frente.

[Clarisse Silva]


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Laços de Família, de Clarice Lispector




«Quem uma vez se deixou revestir do olhar que dimana da prosa de Clarice compreende como a escrita pode ser a vida, muito mais do que ela, nunca parte dela.» 
Lisboa, 26 de Novembro de 1989
Lídia Jorge, do prefácio

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«A força telúrica dos textos vem da insubordinação estilística e da violência poética da escrita, sempre a escavar por baixo das aparências, subvertendo a pacatez de uma paz doméstica artificial e desenterrando o que as personagens não têm coragem ou capacidade de discernir.»
[José Mário Silva, Ler, Abril 2013]



Não apetece pegar agora noutro autor...