(imagem retirada da internet; autor desc.)
Gelo
É amargo. É amargo o sabor dos actos alheios perante as nossas dificuldades, alheios ao sangue que corre nas veias. É amargo o sabor de se saber que estará presente perante a grande adversidade, quando na pequena não se quer saber. É amargo o distanciamento, a parede de gelo que não derrete, apesar das palavras quentes ouvidas quando algo se queda no altar, quedando-se apenas na imaginação, pois que elas saem como pedra a saltar por cima da água, batendo até chegar a uma nova terra, ainda mais longínqua. Tenho frio, tenho frio pela temperatura que faz lá fora, e pela temperatura que se apega junto desta parede de gelo.
Clarisse Silva
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