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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Divagações - I

Preparo-me. Preparo-me para a falta de preparação causticamente presente, idealizando o que há-de ser que chegue a ser verdade. Vivo com qualquer semelhança de mim, aglutinada a algo que conscientemente se crê inconsciente, viva em um lugar que sinto perto demais. Assisto comumente a radicalidades expostas com carinho, como vislumbre seu, confirmando um apogeu – ainda que embrionário. É sabido o que se sabe e que se crê saber. É sabido na certeza do talvez, a incerteza das palavras que ainda não se disseram e ainda não se escreveram. 


Clarisse Silva
© Direitos de autor reservados.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Alheamentos




Vejo, com tristeza, seres humanos alheios aos acontecimentos dos que os rodeiam, colocando o seu individualismo em primeiro, avessos a qualquer atitude, assistindo de camarote à desgraça acontecer. Vejo, seres humanos entrando nas catedrais todas as semanas, doando com aparente fé no cesto de sempre; regressando de tomar o senhor com as mãozinhas em acto de oração e a cabeça inclinada para a audiência, mas que durante os restantes dias semanais agem como animais, totalmente desfasados da realidade da maioria humana, tão embutidos no seu mundo egoísta, onde a fartura nunca se farta, mas que não chega (nas suas cabeças – as mesmas da inclinação) para amenizar com uma migalha - depois do infortúnio ocorrer - aqueles que contam os trocos até receber! E assim vai o mundo: cada um por si e todos a assobiar para o lado!

Assim é; Assim não tinha que ser, ou tinha?!


p.s. desculpem, tive que fazer algumas alterações no texto.



sexta-feira, 1 de março de 2013

Palavras gastas



Estou farta de palavras gastas. Palavras ocas no meio de seres aglutinados à procura de fama estéril. Palavras adornadas à vista e petrificadas ao vazio interior. Raspadas em muros, sinto-as dormentes, correndo indolentes por aí. Chegam ao destinatário que as recebe hilário, sem perceber a morbidez que as acompanha, cora-se-lhe a tez na ignorância da manha do emissor. Ri-se este… Mais uma captura, um caminho para a cura da necessidade de atenção.



Escrito algures no tempo.
© Direitos de autor reservados.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ilusões

Imagem retirada da internet; autor desc.

Não estava triste, nem alegre. Não sofria, nem estava feliz. Estava, mas não estava, era o que não era. Um estado empedernido. O relógio parou, o coração continuou a bater, mas tudo parou. As fábricas deixaram de fazer-se notar ao longe com o seu ruído de fundo; os carros pararam nas estradas; as pessoas pararam nas ruas; as folhas de árvores pararam de bater ao sabor do vento - pois o vento também ele parou. O sol desapareceu. O azul do céu deu lugar ao cinzento das nuvens num dia de Outono, por meses a fio. Tudo era nada, pois o “tudo” não existia. Vazio completo. Não era de noite, mas também não era bem de dia. Tanto estava acordada, como depressa adormecia. Tudo fazia sentido porque existia, mas nada daquilo era real.


Clarisse Silva
Fev 2008 © Direitos de autor reservados.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Casulos e paredes de gelo


Imagem retirada da internet
De casulos a paredes de gelo, tudo vai dar no mesmo. Preciso de reanimação! Sobrevivi a ventos ciclónicos, a chuva torrencial, a rios que galgaram as margens e transformaram estradas em leitos e refugiei-me num cubículo no topo de uma montanha. Quando tentava relaxar, a terra desaparecem-me dos pés e vi-me acompanhando uma avalanche por ali abaixo, como quem desliza num mergulho no mar. Por instantes, vi as preocupações fúteis dos humanos se amontoando naqueles escombros, as misérias humanas se afundando, ao mesmo tempo que outros assistiam ao mesmo que eu. Por instantes foi notório, vários olhares se cruzarem em pensamentos comuns. Ninguém parecia dar importância ao facto dos seus próprios corpos estarem prestes a desaparecer… Os erros do passado de forma individual e a sua repercussão na colectividade, assombravam ainda mais que o próprio cenário de destruição. Todos pareciam se resignar perante tal situação, como compreendendo que só estaríamos a colher todo o desrespeito que (durante séculos), infligimos ao mundo que nos foi dado para viver.

Clarisse Silva
30 Mai 12 © Direitos de autor reservados.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Eterno Agora

Foto: CS

Mais do que qualquer outra coisa, penso em tudo e nada ao mesmo tempo. Quero o agora, quero o para sempre. Quero o eterno transformado no fugaz, rapidamente o fugaz se torne eterno, para que o meu sentir o seja eternamente fugaz. Quero bombas a explodirem no meu peito transformando-se na correnteza que me leva e me faz boiar até à foz, como fonte e destino se misturam na realidade, fazendo-nos descobrir que afinal se trata da mesma coisa. Quero o olhar voltado constantemente para o azul de cima, enquanto me delicio, deitada, madrugada a madrugada, a sentir as ondulações das marés que me fazem viajar, que tanto quero sonhar, e conseguir lá chegar, enquanto a minha pequenez me assombra e me impede de lá voltar.

Clarisse Silva
17 de Janeiro de 2012 © Direitos de autor reservados.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tanta pompa, tão pouca circunstância

Foto: CS

Dá que rir. Rir para não chorar, ao assistir a palavras grandiosas ao serviço do vazio. São escritas, são faladas, tão badaladas na banalidade de vidas caídas no abismo há muito tempo. Vivem no precipício do despenhadeiro adornando suas casas, não se dando conta do ridículo da situação. Os que em volta não olham, nem percebem as grandes rochas que rodeiam esta edificação - fixando o olhar para as luzes a piscar, tal como crianças a olharem para a árvore de Natal -, prontas a tombarem a qualquer momento. Não ousam pensar em sair dali, tão acomodados àquela posição confortável, ganhando no vazio.

Clarisse Silva
17Jan12 © Direitos de autor reservados.