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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PUM, PUM… PUM! Onde estamos?

PUM, PUM… PUM!
Onde estamos?

Pareço ouvir o tic-tac de um relógio. Um som angustiante, quão angustiante se torna ter um interior a gritar por liberdade.
Já não suporto discursos miseráveis a entrarem nos ouvidos de outros ainda mais miseráveis. Projectos de marketing recessos e palavras avessas à verdade; figurinhas aprumadas projectando a luz para si, a Luz que se lhes falta no íntimo; demagogias e lugares-comuns tentando atingir o coração do povo, anos e anos a fio… Não aguento mais! Sinto as náuseas a tomarem conta de mim, quando - incauta e distraída -, ouço sem querer. Outras vezes lá o tento fazer, mas lá me surge este avassalador mal-estar na barriga, ao mesmo tempo em que o desnorte me invade. Fico imaginando as palavras tomarem uma posição e ficarem surdas quando não proferidas com sinceridade! Ah… Chega de tanta mentira! Chega de tanto egoísmo! Chega de pedirem mais sacrifícios às pessoas, principalmente quando não têm mais para onde se possam esticar!
Assiste-se, diariamente, a novos desenvolvimentos admiráveis, quando no dia anterior pensávamos que nada mais nos admiraria! Até onde vai a desfaçatez?! Até onde vai a ganância?! Até onde vai a corrupção?! Até onde vai a malvadez?! Sim, pois com tudo isto começa-se a pensar que quem nos dirige são seres inferiores, ainda portadores de uma selvajaria secular, disfarçados de modernismo, numa sociedade que destorceu - quase por completo - os reais valores humanos! As pessoas são números que se podem manipular, numa contabilidade desorganizada pelos organismos, jogando a seu bel-prazer, conforme a conveniência do momento.
Assiste-se, diariamente, a um desnorte com aumentos de preços descabidos nos mais variados sectores que afectam directamente a vida dos cidadãos, sem que o governo aja com vista à protecção, principalmente, dos mais sensíveis.
Assiste-se a tanta e tanta coisa degradante…
Grassa a injustiça, e parcialidade, a corrupção, o egocentrismo, a mentira, a burla, o engano, a desumanização, os jogos de poder, a ganância, e mais um sem-número de palavras, todas elas sinónimo de inferioridade. Será que não somos capazes de melhor?! 

Clarisse Silva
26 de Janeiro de 2012

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Amor Eterno

(Foto: Clarisse Silva)
 Consola-me o toutiço - barafustado com tanta crise e dificuldade -, saber que algures no mundo aí em cima, te encontras a olhar por nós, com a maternidade que te é própria de uma mãe cuidadosa. Não falo no que era, mas no que é. Não é passado, mas um presente que mudou de endereço. Vivo com a tua vida dentro de mim, pelas veias que contêm o teu sangue e a tua hereditariedade, e pelo amor que permanece imutável com a tua partida.
Relembro com saudade o tempo em que, cheia de força, rumavas ao trabalho, com a cadelinha que sempre te acompanhava para todo o lado, e eu pensava muitas vezes para mim: “quando for grande gostava de ter assim força como ela”. Contagiava-me aquela tua energia, cheia de força e determinação no caminho para o trabalho árduo que tinhas pela frente. Tentava imitar-te com o sacho na mão enterrando na terra, para que todos vissem que era tua neta e também tinha força de braços. Relembro a tua personalidade forte, o que sempre me traz ao sentimento a brancura de onde estarás, a lucidez, a paz e o sentido de que tudo acontece por alguma razão. Neste fio condutor de pensamento, materializado nestas letras, aproximo-me de ti na esperança de te encontrar um dia, nesse mundo melhor do que este.
Sabes, creio que noutro tempo que ainda é este, nunca te ofereci flores, não sei porquê. Não que esse pensamento me traga dor ou arrependimento, pois ofereci-te outras coisas vindas daqui de dentro, mas agora apetece-me oferecer-te flores. Deixo-tas lá, não a pensar que a tua alma estará ali, mas como uma necessidade minha, deixando o meu beijinho cheio de vida gravado na flor que trato como se fosse o teu rosto… Até logo avó.


17 de Novembro de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

PAC, PEC, PIC, POC… PUM!

Imagem: henricartoon "o rasto de Sócrates"


PAC, PEC, PIC, POC… PUM!



Jazem os valores vociferados pela epiderme irrepreensível, como bombas aos ouvidos incautos. Águas que escorrem dos capotes, ainda antes de serem sacudidas de tão habituadas a tal. Lutas desmesuradas por palanques que os tornam para sempre em protegidos pelas leis criadas à medida. Jogos, interesses, acusações, quezílias partidárias em nome de um qualquer interesse nacional, fundamentado pela continuação da exploração dos que passam necessidade, pois há que apoiar o suposto motor de uma sociedade, cada vez mais esgotada! Modelos económicos saturados por especulações, onde reinam o poder do capital, inventado pelo homem, esquecendo-se da real natureza do ser humano.

Diz que estão todos assim… Que anda tudo num frenesim à procura da cura para a economia, ou do equilíbrio das contas. Estamos em pausa… carrega nela e descarrega sobre a humanidade os despojos da inutilidade, reina a sociedade numa selva sem piedade onde os números se sobrepõem à fome que consome o desnorte do ego cada vez mais faminto.

Imperam assim, os desvalores quando o ser humano se deixou levar pelo seu lado mais negro, fazendo acreditar-se que uma qualquer felicidade eterna estaria ao alcance de uma carteira recheada, bastando para isso, fazer o que fosse preciso. Vive-se em clausura por altos organismos criados pelo homem - com bandeira azul salpicada de amarelo - supostamente para nos proteger, mas que ditam as leis baseadas em números, sem apelo nem agravo, sem resquícios de um qualquer pingo de humanidade que um dia sonhou passar por ali. Vive-se enfim, num sufoco que é única e exclusiva responsabilidade de todos nós. Todos somos, mais ou menos responsáveis, pois vivemos em democracia e usamos do voto livre para eleger quem nos governa. Não pensemos, nós povo, que a responsabilidade também não é nossa e não sacudamos igualmente a água do capote, levando-a para os governantes, pois ela carregará sobre nós inevitavelmente. Pensemos. Está nas nossas mãos mudar o que temos de mudar - “vamos fazer o que ainda não foi feito”…!



Clarisse Silva


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Retalhos de Natal

«CONTO COLECTIVO DE NATAL»

Desafio do Blogue Só Te Peço 5 Minutos


Aproximava-se a véspera de Natal, e lá longe na terra do Pai Natal, a azáfama era enorme.O Pai Natal conferia nos seus apontamentos, e conversava directamente com o aniversariante (o Menino Jesus)sobre quem seria merecedor de prenda, este ano.
O Menino Jesus dizia que todos mereciam prenda, uma vez que, de uma forma ou de outra, tinham-se comportado bem durante ano, pelo menos em parte dele. Já o Pai Natal fazia contas à vida era, perante as restrições orçamentais impostas pela Mãe Natal, mais comedida nas prendas.
Por fim, chegaram a um consenso todos os meninos e meninas do mundo seriam presenteados com muito amor, carinho, saúde e... para os rapazes livros e carros ou bolas, para as raparigas bonecas e livros.
Assim, desde a Lapónia e para todo o Mundo, viriam prendas inesquecíveis para todas as crianças da Terra com votos de UM FELIZ E SANTO NATAL PARA TODOS...
      

...mas a noite é ainda menina. Afastado que foi o cortinado, está ali, debruçado à janela, a espreitar o tempo. Tempo que lhe parece quedo, refugiado na solidão. Não sabe por quanto se espraiará a espera. Então, dá-se a mexer nos pensamentos com a delicadeza de um ourives trabalhando a filigrana de ouro. Vai pensando que há canteiros mortos onde as flores não crescem, e rios que não correm. Pergunta-se se o sol-posto regressará. Volta a espreitar o tempo.
 
 
 
  
  ...Sim, ela há-de chegar, porque este Natal vai ser especial e todos são importantes.. O seu pequeno coração de pássaro azul estava ansioso e palpitante.

Enviou uma mensagem a todos os seus amigos a pedir-lhes para cada um contribuir com aquilo que têm de mais precioso e único, a imaginação. Sabia que todos iriam colaborar e fazer deste Natal o mais divertido e original, mas...  
 
   
   
...o bom do Pai Natal andava um bocadinho nervoso. A grande noite de natal aproximava-se e ele estava com dificuldades sérias: as fábricas ainda não lhe tinham enviado os brinquedos e o carro das renas estava avariado. Já via os meninos de todo o mundo a ficarem muito tristes porque, neste Natal, iam ficar sem brinquedos. Foi então que...
 
 
 
 
 
...eu e o meu irmão mais velho (viriam ainda mais 2) dormíamos no mesmo quarto, numa casa onde electricidade só muitos anos mais tarde, tal como a água canalizada. Sabíamos que o Pai Natal nos presenteava sempre com uns chocolates que representavam várias figuras, embora ocas. Como comer chocolate era coisa rara a expectativa era grande. Antecipadamente lá punha-mos na chaminé um sapato de cada.
Embora muito crianças, já questionávamos a existência do Pai Natal. Se não houvesse outra razão, achávamos estranho o nosso sapato, só tinha chocolates, nada de presentes como os que víamos outros miúdos receber. Nah! Não podia ser, havia qualquer engano. Nada como “apanhá-lo “em flagrante e perguntar-lhe directamente, como é que era. Se éramos todos filhos de Deus, porque é que uns, eram mais filhos do que outros.
Numa noite de Natal decidimos manter-nos acordados. Quando o sono apertava dávamos beliscões um ao outro e assim aguentámos até que um barulho suspeito denunciou a presença do tal Pai Natal.
Levantá-mo-nos de rompante dispostos a ter uma conversinha séria com ele.
Surpresa! Apanhamos foi o nosso Pai com a mão na massa, ou seja a distribuir equitativamente os tais chocolates pelos dois sapatos. Acabou o mito e ficou a desilusão...


...Ainda a coxear de tanto beliscão, aproveitámos para agarrar o Pai Natal pelas barbas e eu aproveitei logo para dizer:
-Finalmente, vamos ter uma conversinha... queremos saber o porquê de só termos chocolates porque apesar de nos termos portado muito bem e estudar todos os dias, têm sido anos a fio sem brinquedos... daqueles que vemos dar aos outros meninos...



...assim quando avistou o Pai Natal, a pequenada que aguardava na praia a sua  chegada entrou em alvoroço. Enfrentando a temperatura gélida da  água, precipitou-se para o meu rochedo para as desembrulhar...



  ... Os pais da pequenada ficaram surpreendidos com o desaparecimento dos  filhos e correndo, também eles em direcção ao rochedo, estacaram  boquiabertos. O Pai Natal, a pedido de uma Avó babada e muita saudosa  das suas netocas Afrikanas, decidiu descer num balão insuflável e muito  colorido, em plena luz do dia, na praia mais límpida e azul do Oceano  Índico...






...e como o Pai Natal é um tipo fiche e viu a pequenada prestes a apanhar um resfriado, voltou para os levar para a praia e assim poderem agasalhados se recomporem e brincarem com as prendas que receberam.

Felizes os pequerruchos viram o trenó do Pai Natal se elevar para lá da serra e continuar a entrega das restantes prendas, pois já estava com algum atraso e não queria que as crianças ficassem mais ansiosas do que é normal em véspera de Natal...



...Andavam assim todos em desatino, por todos sítios e lugares, esquecendo até o menino. Menino de Jesus chamado e nas palhinhas deitado. O pai que tinha sido apanhado em flagrante achocolatar sapatos fingindo-se de um pai que não era, não conseguia disfarçar a contrariedade. Como iria explicar à restante família que fora apanhado e causador por desfazer uma crença que todos julgavam comum a toda e qualquer criança. Foi então que o filho mais velho, ainda dorido pelos beliscões do mais novo, arquitectou um plano. Explicou ao pai, com o espanto do mais novo, dada a bem engendrada proposta de encenação. Os três combinaram nada ter acontecido. Os irmãos, fingiriam continuar em sonhos natalícios e o pai fingiria não ter sido apanhado. E assim, em grande cumplicidade, juntaram-se aos restantes familiares. Foi tal o teatro que todos os adultos ficaram convencidos que continuariam a prolongar o mito dos putos. O mais velho piscou o olho ao mais novo e depois ao pai e os três esboçaram um sorriso de indulgência. É que para a gente crescida há que ter paciência. O menino Jesus, amante da verdade, também sorriu continuando nas palhinhas onde continuava deitado (acho que por gostar da verdade e que veio a ser crucificado). Mas não só o menino fez isso, foi todo o presépio a sorrir e também a estrela iluminada. Até o camelo do rei Belchior soltou uma sonora gargalhada.…"

 ...Aconchegados pelo quentinho que brotava da fogueira, até parecia que naquela noite o seu calor tinha “um aspecto” especial, o mais pequeno da família, ergueu-se lentamente do sofá e sentou-se de mansinho no colo do Pai, levantou o braço, ergueu a mão e passou-a levemente pela cabeça do Progenitor, num claro tom de carinho fraterno. A este gesto o Pai respondeu com um beijinho ternurento. A criança repetiu o gesto num ritmado bailado de festinhas, quando de repente pára, desloca o seu olhar para o do Pai e pergunta: - Papá afinal o que é o Natal? ...




 
...- O Natal meu filho é aquela época em que todas as famílias e amigos se reúnem para mostrar o quanto se amam. Não importa o quanto se magoaram durante o ano o que importa sim, meu filho, é que com o nascimento do Menino Jesus todos se apoiam se reúnem e assim como os Reis Magos vieram lá do Oriente com presentes para o Deus Menino, nós também nesta época trocamos prendas. Mas o que importa meu filho é o Amor,o Perdão e a União de todos. Percebeste meu filho?
- Sim pai, mas, por que é que é só no Natal que existe o perdão?
- Sabes meu filho...
 
... no Natal as pessoas percebem quem lhes faz falta, aqueles de quem têm saudades, porque é tempo de paz e de união, mas não só no Natal existe o perdão, quem tem um bom coração, quem é capaz de perdoar, tem essa capacidade durante todos os dias da sua vida de perdoar e de amar.
- Papá, isso é que é o amor?


O pai, com os olhos brilhando pelas lágrimas que teimava em esconder, respondeu-lhe com ternura:
-Sim meu filho, O AMOR É ISSO!


Mas, chegou finalmente o ano das prendas especiais.
Sim, o pai Natal e o Menino Jesus esperavam há muito por este ano, para finalmente todo o mundo receber estes presentes.
Ao contrário do que sempre foi até à data na história, os meninos de todo o mundo não iriam receber carrinhos, bonecas ou jogos, o que, mesmo sem ter a preocupação das compras, deixava o pai Natal e o Menino Jesus um pouco ansiosos, não porque não saberiam a reacção do mundo, mas porque queriam ver o seu resultado final.
Juntos, Menino Jesus e pai Natal, iriam formar uma força única para revolucionar o mundo.
Como sempre, os meninos estavam ansiosos para receberem as prendas que pediram nas milhões de cartas recebidas:
- Jesus está pronto, podemos partir?
- Espera um pouco, dá-me as tuas mãos…E juntando as suas mãos, ficaram em silêncio, ambos de olhos fechados.
As ceias de Natal do mundo inteiro estavam a decorrer e eles iniciaram a viagem. Os meninos, ansiosos, perguntavam às famílias, quando chegaria o pai Natal. As horas não passavam…
Chegada a hora, entraram na primeira casa… e em Portugal. Mãe, avó, um menino e uma menina, a morar numa casa exígua, onde se viam várias bacias a segurar as pingas que caíam do telhado. Ao vê-los juntos os dois, ficaram estarrecidos e sem reacção…
- oh oh oh, Feliz Natal…!
- Feliz Natal…!
E virando-se para o saco (muito mais pequeno que o habitual) do pai Natal, tiraram de lá uma bola de luz que ia ficando maior à medida que ia sendo tirada do saco. Juntos, o Menino Jesus e o pai Natal faziam crescer e crescer ainda mais aquela bola de luz, que começava a irradiar pelo pequeno espaço. Da noite se fez dia, e a Luz permaneceu para sempre naquela casa. Imóveis e fascinados, os moradores nada diziam... O esboçar de sorriso nos seus rostos reflectia o que estavam a sentir. A claridade exuberante foi voltando ao normal, e foi ver o espanto e a felicidade perante o cenário em que estavam: do telhado já não pingava, as paredes estavam brancas, os armários e o frigorífico estavam cheios de comida…
- O Menino Jesus?!... O pai Natal?!...– Tentava a mãe perceber.
- Mãe olha para a cozinha… - Balbuciou a menina ao mesmo tempo que apontava com o indicador.
- Mãe olha para o chão… - Exclamou o menino.
A mãe não sabia para onde olhar…
- Oh meu Deus…! - Exclamou a avó de mãos no rosto sem acreditar.

Na mesa da cozinha, também ela nova, tinha três envelopes. Para a mãe, estava escrito:
“Amada: Continua a lutar e a seres tu própria. Este ano não trazemos nada do que é habitual, mas dizemos-te para ires à empresa que fica na Rua das Flores, logo que comece o ano. Tens lá o trabalho que sempre sonhaste e lá te darás bem. Os problemas acabaram hoje. Feliz Natal com Amor…!”.

Para a avó estava escrito:
“Amada: Sabemos que a tua vida não foi fácil, mas estás de parabéns. Terás agora uma velhice em paz nesta casa nova, junto dos que amas. Os problemas acabaram hoje. Feliz Natal com Amor …!"

Para os meninos estava escrito:
“Paulo e Teresa: Este ano não trouxemos um brinquedo com que possam brincar, mas trouxemos Luz e uma casa nova para vocês, sabemos que não ficarão tristes, pois todos os vossos problemas acabaram hoje. Feliz Natal com Amor…!"

Depois de lidas as mensagens foram-se sentar nos sofás da pequena salinha totalmente renovada, sem saberem o que pensar, olhando em volta e interrogando-se: teria sido um sonho? Teriam mesmo recebido a visita do pai Natal e do Menino Jesus? O que aconteceu à casa? E foi assim que tiveram um Natal realmente feliz, e que mudou as suas vidas para sempre.
No dia seguinte, cada casa, cada canto, vibrava em Luz, e ninguém queria perder essa sensação. O mundo tinha-se transformado… todo o sofrimento tinha desaparecido… a partir daquele Natal, reinou o Amor na terra para sempre, e toda a felicidade que ele traz.


FIM

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Objectos Humanos

"Meros objectos o homem representa, para serem, depois de usados, depositados para um qualquer canto amontoando um local já carregado de lixo. Simplesmente restos em estado de decomposição avançada, que submergem por vezes, para alimentar a arrogância dos seus gigantes proprietários, em troca de umas míseras migalhas."
Excerto de um artigo de jornal

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Revolução do Amor



(foto: Clarisse)


Até quando o mundo, e nomeadamente a nossa sociedade vai continuar nesta senda do salve-se quem puder, nesta ideologia do egoísmo, do egocentrismo, nesta ideologia que nem o chega a ser, pois é totalmente utópica! Assim como a escuridão não existe, pois ela é apenas a ausência da Luz. Tal como dizia o místico indiano Osho “Porque a escuridão em si mesma é apenas um estado negativo, ela não tem qualquer existência positiva. Ela não existe na verdade. Como você pode dissolvê-la? Você não consegue fazer coisa alguma directamente com a escuridão. Se você quiser fazer alguma coisa com a escuridão, você terá que fazer com a luz. Traga a luz para dentro e a escuridão irá embora”. Até quando a sociedade continuará a insistir na competição, no fazer qualquer coisa para subir na vida? Até quando se vão dar conta ao ponto que chegaram com essa falsa crença? Até quando vão continuar a fazer de conta que vivem à grande e à francesa, quando dentro de casa não é bem essa a realidade? Aonde está o problema em admitir que se sente dificuldades na manutenção da qualidade de vida? Aonde está a vergonha? O que ganharam até agora a seguir esta falsa crença? Olhem para o estado das coisas e cheguem a uma conclusão!... Aonde vos levou esta forma de pensar e de agir até agora?! Passados que foram 34 anos de revolução, aprendeu-se com certeza alguma coisa, mas estarão na estrada principal que vos conduzirá a um futuro promissor?


Como se poderá chegar a bom porto se as coisas estão mal de raiz?! Como se poderá viver bem economicamente, quando as coisas estão mal logo à partida?! O que está errado logo à partida, perguntam. Eu respondo: é a competição, o ódio, a inveja, o egoísmo, a arrogância, em suma a falta de amor! Do amor universal! Como querem que isto ande para a frente, se se continua a invejar o vizinho que comprou um carro novo? Como querem que isto vá para a frente, se se continua a viver a odiar o próximo? Sim, porque quem não faz o bem ou auxilia quando pode, é equivalente a fazer o mal. O mal vem da raiz! Parem de ter sentimentos negativos e pensar só no vosso umbigo!... Existe abundância de tudo quanto é necessário para vivermos! Quando vão perceber que só unindo esforços poderemos construir algo, e ter melhores condições de vida?! Quando vão perceber que não se pode continuar a viver assim?!


O estado actual da nossa sociedade, é prova inequívoca que precisamos urgentemente de mudar a forma de pensar! Parem com os julgamentos, que são apenas reflexo de inferioridade existente no seu seio. Quem somos nós para julgamos os outros? Somos Deus? Com certeza que não! Olhemos ao espelho antes de criticarmos os outros e vejamos que mesmo podendo não proceder como o próximo em determinada situação, ainda deixamos muito a desejar em outros aspectos. Ninguém é perfeito, mas sobretudo ninguém é ninguém para julgar os outros! Ao fazermos isso, seremos rapidamente apontados naqueles outros aspectos que ainda deixamos a desejar. O que nos adianta julgar os outros? Sentimo-nos superiores? Sim, podemos até sentir que o somos, mas não o somos na realidade, e esse facto faz toda a diferença!


É urgente uma revolução! É urgente uma mudança de pensamento, mudança de prioridades de vida, mudança comportamental, mudança ideológica, ou criação ideológica, (pois não existe nenhuma), enfim, é urgente a Revolução do Amor. Precisamos dar importância àquilo que realmente tem importância, de olharmos para o lado e vermos o nosso vizinho como companheiro e irmão, e não como concorrente directo ou inimigo a combater...!


Realmente não se pode fazer nada com a escuridão! Quando entramos no quarto e está escuro não podemos pegar na escuridão para vermos, ela só pode ser combatida com a luz! Então peguemos no Amor e irradiemos pela nossa vida essa Luz, para que tenhamos um futuro promissor de verdade! O conforto e a qualidade de vida são legítimos, só não é legitimo alcança-los através da escuridão, nunca poderia dar resultado...!


A falta de ideologia no seio da sociedade só poderia dar em miséria! Se temos que começar de novo, então comecemos de forma diferente e não cometendo os mesmos erros do passado! As cabeçadas na parede servem para aprender lições!
Estou ou estaremos, é uma questão global!
Faça-se Luz sobre esta sombria terra...!
“Time to love revolution”!



Outubro de 2008
Foto tirada por mim


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Artigos: A máquina humana

Somos seres humanos, ou robots? Temos sentimentos, ou somos feitos de aço? Gostamos de ser de carne e osso, ou preferimos ser máquinas? Máquinas de trabalhar, máquinas de ganhar dinheiro. Preferimos ter um sorriso estampado no rosto, ainda que seja de plástico. Máquinas: isso mesmo! Sem sentimentos, nem frustrações, mas com ambições, com medida ou sem ela. Máquinas programáveis, com as mais variadas opções e menus. Que quando sentem tristeza, fingem não a sentir, porque são máquinas. Feitas de material altamente resistente, tecnologia de ponta, de ultima geração. Será a nossa vida, uma simples operação matemática? Teremos nós o poder de nos programarmos, de pular à frente ou a trás, carregar no stop, ou na pausa, quando nos apetece? Fingimos que conseguimos fazer tudo isso. Que somos fortes, que nada nos abala, que nada nos irá deter. Mundo imaginário!
Num qualquer dia, chega o momento que carregamos no stop e ele não funciona. Carregamos na pausa, mas também não funciona. Fazemos por passar à frente algo que não queremos, mas não conseguimos. Mudamos as pilhas, mas não funciona!... Finalmente damo-nos conta que não controlamos verdadeiramente nada? Ou damo-nos conta que nada daquilo era realidade? Ou que esse nosso poder, era algo efémero? O que fazemos de seguida? Damo-nos conta que realmente somos apenas um ser na criação, ou continuamos a cair na ilusão do mundo material, e criamos um novo mundo para viver, em tudo semelhante ao anterior? Talvez a maioria caia na tentação de optar pela segunda via. Mais fácil. Apenas temos que fazer uns pequenos ajustes. Fazer mais uma vez de conta, e continuarmos como se nada fosse. Caímos novamente na cilada do ego, e não pensamos que um dia, a vida nos poderá cobrar aquilo de que nós continuamos a fugir, incessantemente. Pensamos que não pensando, ou desviando o pensamento, vamos deixar de sentir a frustração de viver uma vida que não escolhemos, de fazer o que não gostamos, de termos que ser alguém que os outros querem que sejamos.
Quando, a sociedade se vai dar conta, que cada um de nós é um ser especial, que todos temos os mesmos privilégios aos olhos da criação? Que ninguém é mais do que ninguém, por mais que se tente provar nunca se o poderá fazer. É contra as leis naturais da vida: sempre imutáveis e imortais. Sim! A pessoa mais rica da sociedade, é o magnata que tem uma colecção de carros, grandes propriedades e bens, ou é o eterno incompreendido que tudo o que tem vem de dentro, de um local invisível aos olhos, mas repleto de paz, alegria e harmonia? Por certo a maioria pensará que será o primeiro, embora, talvez todos respondam que será o segundo. É da praxe. Fica bonito na fotografia, embora quase todos vivam orientados pelo primeiro. Alimenta o ego faminto de fast-food!! A fome de verdade, de Luz, de alegria, de harmonia, de Paz continua lá, mas nós continuamos a alimentar o falso centro, dando-lhe mais comida rápida! Pelo menos sacia, embora não alimente! Satisfaz não realiza, e a diferença esta precisamente aí. A satisfação imediata não tem em conta a realização. Satisfação é fácil de alcançar, porém a realização, não está assim ao alcance de um simples gesto, rapidamente. Quem quiser que pense.

2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Artigos: A sociedade actual e as crianças

Hoje em dia, e cada vez mais, é a nossa sociedade que dita as regras, que estabelece os limites, os padrões, as normas sociais. Mas esta situação há-de ser invertida, porque, “…tudo que chega ao limite, vira no seu contrário”. Havemos de construir, através dos erros até agora cometidos, uma sociedade melhor, mais justa e humana, menos normalizada, padronizada e céptica. Talvez não tenhamos ainda chegado ao limite. Talvez isto explique que continuemos a viver numa sociedade como esta. Talvez ainda, não demorará que a situação “vire no seu contrário”, tendo em vista das pequenas mudanças que vão surgindo por todo o mundo.
Infelizmente, a nossa sociedade aceita de bom grado uma sociedade consumista desenfreada, materialista, quer dizer além de aceitar – exige, quase. Tenho muitas vezes, a sensação de estar a viver numa competição. Compram-se carros, casas, fazem-se viagens, mostra-se, ou tenta-se mostrar de todas as formas, que se é “mais que o vizinho que comprou um carro novo, mas eu também comprei, e até foi mais caro”, não quer dizer que seja melhor, mas basta-se dizer que foi mais caro, e estas pessoas, pensam que se sentem felizes. Depois, quando compram as coisas, passado dias, já não lhes dão valor, porque entretanto um outro vizinho comprou também um carro novo. E agora? - Perguntam-se. Sentem-se inferiorizados, rebaixados, porque engrandeceram de tal forma o orgulho, que este lhes impede de ver a razão da constante insatisfação. Então, e para combateram essa inferioridade, dão azo a discussões, invejas, em torno do mesmo assunto: quem tem as coisas melhores. Torna-se um ciclo vicioso. Esta sociedade, que se diz tão evoluída, ainda não se deu conta que, ao ser consumista, só procura na matéria, algo que ela nunca lhe dará. A matéria é o que é, efémera. A sociedade procura nos bens materiais algo mais, e como não o encontra, continua buscando, buscando, sem nunca o encontrar, porque esse “algo mais” a matéria não o tem. Mas, na ânsia de encontrar o que acha que acabará por encontrar, canaliza os seus objectivos nestes termos, pensando que vão conseguir satisfazer as necessidades da alma. Talvez não se tenham dado conta, que a nossa alma precisa de coisas que estão ao alcance de todos, e não apenas ao alcance dos que têm dinheiro.
Por outro lado, procura, a nossa sociedade, transmitir para os filhos esta mentalidade, coisa que não tem sido bem aceite. Muitos dos nossos filhos não querem esta sociedade padronizada e normalizada. Muitos não gostam da escola, e não gostam de obedecer a regras que consideram não ter razões para existir. Parecem não gostar de regras que não entendem, e que por vezes, são pouco humanizadas. Não gostam de medidas standard, gostam de ter cada um deles a sua própria medida. Estas crianças são, o que a nossa sociedade chama de crianças com Deficit de Atenção, e crianças Hiperactivas. Talvez se nos deixássemos conduzir por elas, a nossa sociedade enveredaria para uma maior humanização e justiça, deixando para trás, este modelo de sociedade actual. Só porque elas são diferentes, são assim rotuladas, e desta forma, são administradas com químicos que bloqueiam o seu potencial. “Deixai que venham a mim as criancinhas…” (S. Marcos, cap.X, vv.14) – proferiu o Divino Mestre! O que elas têm que nós, adultos, não temos? Acima de tudo: pureza de sentimento! Porque será que tantas se sentem desajustadas? E porque nós não entendemos a razão do desajuste? Porque nós não entendemos a razão de determinados comportamentos, e muitas vezes, nem sabemos como lidar com várias situações? Não deleguem a culpa nos outros!...
Era bom que todos caminhassem para uma visão mais ampla do mundo, do porquê das coisas. Nessa altura, com certeza, que estas crianças seriam olhadas de uma forma bem diferente. Crianças Índigo, são diferentes, não convencionais. Porque não tentar compreender? Porque não descobrir o que vai na alma de uma criança assim? Se todos tentarmos fazer isto, poderemos ter uma grande surpresa. Talvez possamos verificar que eles apenas têm uma visão diferente da nossa, não quer dizer que esteja errada, ou que não tenha lógica. Para quê continuar a fechar os olhos para a realidade? Para quê continuar a tratar este tema com explicações tão simplistas? Só porque são de fácil entendimento? Admitir que não se conhece, ou que não se sabe, ou que se erra, não é ser-se inferior, é caminhar para a evolução – nossa verdadeira missão.
Talvez não seja o fim do mundo, quem sabe será um admirável mundo novo!...







2006

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Artigos: Nas muralhas da sociedade

Borda fora com os desajustados! Borda fora para quem não se enquadra nestes meandros infectados da nossa sociedade! As muralhas da nossa sociedade estão negras por dentro, e cheias de luz por fora! Mas, vivas para esta sociedade discriminatória, que se acha no direito de julgar seus próprios irmãos de jornada! Sociedade discriminatória, subproduto do seu criador que discrimina a sua própria natureza divina: o homem. Todas as coisas do homem são efémeras: quem criou os padrões sociais? Quem decretou que uns são melhores, ou que os outros são piores? Quem é esta sociedade se não esse subproduto com prazo de validade? E o que são os julgamentos, senão armadilhas da nossa própria inferioridade, ocultadas pelo alegado prazer que o ego nos faz sentir? Criamos as armadilhas para depois cairmos nelas! Somos pequenos, achamos que tudo podemos, quando somos nós, os responsáveis pelas nossas próprias desgraças.
Mas continua-se a pensar, ou querer pensar, que assim é que tem que ser. Que temos que lutar por uma vida, quando na verdade gostaríamos de lutar por outra completamente oposta. Mas, continua-se a fazer o contrário do que realmente queremos dentro de nós, porque as regras da nossa sociedade exercem essa enorme influencia nas decisões pessoais de cada um. “Não vou fazer isto, se não vão pensar o quê de mim?”, “Não vou fazer isto também, se não vai ser uma vergonha?”, “Não faço isso também porque tenho muito medo!”. Tudo tão errado! Medo é mais uma armadilha do ego! E como a insatisfação começa-se a instalar, inicia-se um processo ainda mais materialista. Segue-se o consumismo desenfreado. Depois as lutas pelo poder. O querer mais e mais, e nunca ficar por aí… E toda uma vida se torna numa invenção humana para adormecer a consciência, e ao mesmo tempo, fugir da sua própria essência. Mais um membro, mais um exemplo a seguir por esta sociedade egóica, que se acha tão evoluída!
Parem de fingir que são felizes...! Parem de tapar o sol com a peneira…! Parem com a hipocrisia...! Parem de ter medo de tudo! Fazemos e pensamos realmente como sentimos, ou ignoramos os sentimentos?! Fazemos o que podemos, ou podemos o que fazemos?! Não riam quando têm vontade de chorar! Alimentem a vida, não alimentem o ego! Ele é como a comida rápida, só engorda, não alimenta! O preço que pagamos pela nossa alegada “segurança”, é a infelicidade! Vale a pena? Vale a pena, pela segurança, ou pelo comodismo, abandonarmos a luta pelos nossos sonhos? Vale a pena ficarmos encarcerados num mundo sem evolução, sem horizontes? A escolha é de cada um!
Abençoados são, todos aqueles que saltam fora desta muralha por iniciativa própria! Abençoados, todos aqueles que não se revêem neste mundo tão desumanizado, tão virado para todo o tipo de materialismo! Abençoados, todos aqueles que se sentindo como peixe fora de água, preferem viver de esmola que viver no mundo de faz de conta, no mundo dos contos que fadas, que só existem na cabeça de iluminados que escrevem essas fantasias para as crianças não terem pesadelos durante a noite - pura ilusão! Abençoados, todos aqueles que vêm a realidade, e procuram a sua verdade, sem medo de serem felizes!
Já evoluímos muito, porém falta-nos evoluir no que realmente é mais importante, e ao mesmo tempo, no mais difícil! Quem quiser que pense.





2007

(foto tirada por mim)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Artigos: O fim do Mundo

Caminhamos nós para o fim do mundo?
O ser humano é cada vez mais desrespeitado. A nossa sociedade olha para países do “terceiro mundo” com um olhar de quem quer fazer mudar ali as coisas, porque diz-se que em pleno século XXI não deveriam ser permitidas certas atitudes. É certo, que por exemplo nos países Islâmicos, as mulheres são olhadas como servas numa sociedade em que os homens imperam e fazem valer a sua força, e que noutras zonas do mundo como no nosso país, é impensável uma mulher ser condenada à morte por apedrejamento. Apelidamos de retrógradas e de terem nestes países regimes ditatoriais, que para nós, estão como que parados no tempo. Porém, olhamos mais depressa para os defeitos dos outros do que para os nossos. Esquecemo-nos que não temos legitimidade alguma para colocar imperfeições nos outros.
Assim sendo, temos no mundo uma super-potência (para mal dos nossos pecados) “que tudo controla”. Veja-se: invadiu outro país ilegitimamente sem o aval da ONU, com a finalidade de “depor o regime” que possuía armas de destruição massiva, que nunca apareceram, quando na verdade instalaram-se lá para maltratar as pessoas que deveriam proteger de um ditador, e para tomar controlo da sua grande riqueza: o petróleo. Não fazem esforço sequer de se preocuparem com problemas que a todos dizem respeito, como a questão ambiental. Como sabemos, fizeram questão até de recusar as condições do protocolo de Quioto. O cerne da questão, é que são demasiado egoístas para pensar que são o país que mais destrói o ambiente em que todos vivemos. A poluição é a verdadeira arma de destruição em massa, e quem a detém são os Estados Unidos da América. Qual bomba que rebenta um pouco todos os dias, tão pouco que ninguém, ou quase, lhe dá importância. Vai rebentando aqui e acolá, vai destruindo aqui e acolá, até destruir com tudo. Até o próprio detentor da “arma” sofre com a sua negligência.
Somente nos casos como a catástrofe do sudeste asiático (se é que houve alguma vez alguma) nos põem a pensar do que será de nós. O “cheiro a morte” como proferiu a jornalista Daniela Santiago da RTP, com uma expressão facial que dizia tudo, paira no Sri Lanka mas, também nas nossas cabeças, como reflexo de um choque imenso, que choca ainda mais, de cada vez que se pensa nesta hecatombe. De cada nova imagem que surge, é como não soubesse que tudo isto estava a acontecer, tamanha a admiração, o embate, o arrepio, a confusão mental que nos torce o cérebro, bloqueando o nosso corpo e a nossa atenção. Será este o fim de todos nós?Dizia a sabedoria antiga, que no fim do mundo tudo se haveria de ver. O que nos falta neste momento? Será que o que se vê, e se tem visto na nossa sociedade e no mundo, normal? Pais que matam filhos, filhos que matam pais, crianças que são abusadas, violadas, prostituídas, mal tratadas, sequestradas por vezes pelos próprios familiares, por sacerdotes! Tráfico de seres humanos, tráfico de órgãos! No que nos transformamos? A espécie humana não funcionava assim. Aquecimento global, temperaturas anormais, grandes inundações, grandes secas, grandes nevões, catástrofes naturais! No que transformamos a natureza? Ela não funcionava assim. A destruição da natureza aliada à destruição dos valores humanos poderá ter consequências devastadoras. E o homem, egocêntrico, continua a pensar que domina o mundo. Julga-se capaz de tudo controlar, quando na verdade nada controla. Somos objectos em mãos monstruosas, de corpo colossal que ninguém vê, mas existe. Tão colossal que é, que faz de uma linha-férrea e de um comboio “um brinquedo” em mãos de um bebé. Talvez a mãe natureza não aguente tantos maus-tratos, pois nem mesmo o homem é capaz de aguentar os maus-tratos que ele próprio provoca. Contraditório, sujo, ignorante, culpado, pequeno, mesquinho, mau! É este o homem que habita o planeta Terra.

Janeiro de 2005

(foto tirada por mim)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Artigos: A Selva Humana

Atitudes forjadas, mentes perversas, jogos de interesses viciados. Pela existência de alguns, que teimam em existir, mas que mais não são que meros peralvilhos maneáveis ao sabor de uns quantos que teimam em corroer. Qual rato(s) de esgoto que por onde passa teima em corroer tudo que lhe passa pela frente. Pelo simples prazer que lhe proporciona esse gesto: corroer. Qual motivo se torna necessário, quando o prazer deste gesto, posicionado uns quantos patamares acima da existência humana, muito mais do respeito que merece o próximo, apenas o gesto em si, que assim lhe garante horas e horas de deleite.

Prosseguindo tal cadeia lógica (ou muito pouco), acelera o passo quando ao longe se apercebe ver algo de muito interesse: uma bola de queijo, que poderia ser uma simples fatia do bolo (que conhecemos bem), mas que realmente, é uma bola de queijo. Apressa-se assim, para a conseguir arrastar para um lugar mais tranquilo, em que lhe seja possível aprecia-la apenas para si. Quando lhe surge, de repente, um outro faminto pela frente não tem problemas em combater pela posse de tão belo presente. É pois, com algum sacrifício que consegue afastar o concorrente, mas ainda assim feliz, por pensar em deliciar-se com deleitoso manjar. Posteriormente, com a bela refeição terminada, continua sua incessante caminhada, por entre caminhos e atalhos à procura de tudo e de nada, apenas o seu bem estar.

Com tão grande refeição poderia, se calhar, partilhar com o seu concidadão, mas sendo o egocentrismo o patamar mais elevado do seu organigrama, não haveria razões para tal. Este rato não tem outro fim, do que sucumbir sozinho, neste mundo selvagem. É pois, este, o fim de indivíduos egocêntricos, que vivem num mundo à margem do respeito pela pessoa humana, à margem de todos os valores adjacentes ao humanismo. Amizade, respeito, dignidade, lealdade, democracia são conceitos absurdos no contexto de uma selva humana. Embora seja eu optimista e acredite na reciclagem de valores, é esta a sociedade em que vivemos, desumanizada, apenas orientada pela sede de poder, do absolutismo, da ganância. Meros objectos o homem representa, para serem depois de usados, depositados para um qualquer canto, amontoando um local já carregado de lixo. Simplesmente restos em estado de decomposição avançada, mas que ainda assim, submergem por vezes, para alimentar a arrogância dos seus gigantes proprietários, em troca de umas míseras migalhas.


Janeiro de 2002