terça-feira, 15 de março de 2011

Poema da Semana: "Ilusão de óptica"

Tela de Paula Rego

Ilusão de óptica

Há planícies inteiras a desbravar novos montes de terra.

Deviam espreitar para dentro delas mesmas e redescobrir novas sementes para poderem germinar novos temas.

Há tantas e novas sementes à espera de serem semeadas.

Assim se apalpam as palavras para que os temas surjam em jeito de tinta fresca a pintar os painéis do futuro. Não se podem abafar as sementes, pois elas germinam em cada polegar, tal como estes meus molestando as teclas de um teclado inactivo.

(Ilusão de óptica, será esta a minha fachada, onde me visto por dentro e me dispo por fora?)

Prontifico-me para lhes semear no ventre todas as novas sementes que caíram enquanto dormia sobre a erva molhada. Sempre que abria os olhos, era um céu virgem que me encantava, e a terra, essa esperava as sementes caídas dos meus olhos. Ilusões que se perdem nos cantos esverdeados que pinto nas paredes do meu quarto, enquanto não durmo.

Esta insónia que não me larga, este canteiro de ervas secas a picar-me a pele. Zangão, digo eu, nesta ilusão de óptica, pronta a furar-me os olhos.


Autora: Dakini
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4 comentários:

Rogério Pereira disse...

"Há tantas e novas sementes à espera de serem semeadas"
e tanta a terra arável
desperdiçada,
inculta,
desprezada...
Sim, que teus olhos não vejam

Clarisse Silva disse...

Há realmente tantas novas sementes à espera de serem semeadas, que só não o são, devido a ilusões, não estas, mas outras ilusões que germinam nas mentes como erva daninha para alimentar os egos famintos.

Essas que germinam nos polegares, a serem ilusões de óptica, então que o sejam, mas que não deixem de existir e coexistir, para mantermos o sonho acesso, caso contrário a tarefa é ainda mais difícil. Mais importante que a palavra usada no exterior, materializada, é o sentimento que lhe dá origem.

...

Fê-blue bird disse...

"Há tantas e novas sementes à espera de serem semeadas."

Esta frase tão inspirada, aliás todo o excelente texto, faz-me lembrar os anseios, os sonhos desfeitos da nossa juventude.

Ah! Minha amiga, as insónias que também não me largam.

Excelente escolha de texto e imagem.

Beijinhos

Alexandre da Fonseca disse...

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