quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Amor Eterno

(Foto: Clarisse Silva)
 Consola-me o toutiço - barafustado com tanta crise e dificuldade -, saber que algures no mundo aí em cima, te encontras a olhar por nós, com a maternidade que te é própria de uma mãe cuidadosa. Não falo no que era, mas no que é. Não é passado, mas um presente que mudou de endereço. Vivo com a tua vida dentro de mim, pelas veias que contêm o teu sangue e a tua hereditariedade, e pelo amor que permanece imutável com a tua partida.
Relembro com saudade o tempo em que, cheia de força, rumavas ao trabalho, com a cadelinha que sempre te acompanhava para todo o lado, e eu pensava muitas vezes para mim: “quando for grande gostava de ter assim força como ela”. Contagiava-me aquela tua energia, cheia de força e determinação no caminho para o trabalho árduo que tinhas pela frente. Tentava imitar-te com o sacho na mão enterrando na terra, para que todos vissem que era tua neta e também tinha força de braços. Relembro a tua personalidade forte, o que sempre me traz ao sentimento a brancura de onde estarás, a lucidez, a paz e o sentido de que tudo acontece por alguma razão. Neste fio condutor de pensamento, materializado nestas letras, aproximo-me de ti na esperança de te encontrar um dia, nesse mundo melhor do que este.
Sabes, creio que noutro tempo que ainda é este, nunca te ofereci flores, não sei porquê. Não que esse pensamento me traga dor ou arrependimento, pois ofereci-te outras coisas vindas daqui de dentro, mas agora apetece-me oferecer-te flores. Deixo-tas lá, não a pensar que a tua alma estará ali, mas como uma necessidade minha, deixando o meu beijinho cheio de vida gravado na flor que trato como se fosse o teu rosto… Até logo avó.


17 de Novembro de 2011

2 comentários:

Fê-blue bird disse...

Minha querida amiga:
Um texto profundamente comovente.
Perder um ente querido é algo com que não sei lidar, e lendo o seu texto aprendi a ver essa perda de outra maneira, não lamentando, mas celebrando a memória de alguém que sempre viverá dentro de nós.


beijinhos

Rogério Pereira disse...

Só que merecer de meus netos um texto assim...