terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Poema da Semana: "Porque caem as pontes?"

Foto: Clarisse Silva
















Não quero mágoas escurecendo as águas

que passam por baixo das nossas pontes,
tu de um lado,
eu do outro,
e águas escuras lá em baixo,
magoando as pedras duras...
As aguas merecem um fim mais nobre,
do que vestirem-se de cobre ensanguentado...
As pedras são pedras,
não são armas férreas...
As pontes são conectas,
ligam margens indiscretas...
Porque caem as pontes
que ligam os montes,
que ligam as gentes?
Porque tombam, pesadas no chão?
Como gigantes, tropeçantes e deficientes
no andar?
Porque se soltam da mão?
Porque desistem de se abraçar fortes?
Porque se cansam de ser suportes?
Porque deixam de se suportar
e optam por quebrar?
A nossa ponte ruiu,
caiu, desistiu...
As margens já não se tocam,
nem se provocam com o olhar...
Não há passagem de uma margem para a outra,
não há caminhos seguros,
não há suportes ou muros...
Não esticam as mãos, não esticam as pernas,
não partilham chão...
Não...
As pontes não são eternas...
Mas as aguas serão sempre transparentes...




Autora: Inês Dunas (Libris Scripta Est)
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© Direitos de autor reservados.

1 comentário:

Fê-blue bird disse...

Amiga Clarisse:
Um poema tão lindo, uma comparação muito bem feita entre a separação e as margens de uma ponte.
Vou espreitar o blogue da autora.
Obrigada amiga pelas suas sempre simpáticas palavras no meu cantinho.

beijinhos